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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Do meu ponto de vista

albufeiradiario, 12.06.07

FUNDA MÁGOA

ZÉ D'ALBUFEIRA     

 

Do meu ponto de vista, a janela do meu quarto, alcanço a velha Torre do Relógio encimada pela esbelta, imponente,  cúpula de ferro sobranceira ao casario circundante. Também uma parte significativa da Albufeira antiga, com carinho preservada a todo o custo pelas famílias que desde sempre a habitaram, alvas açoteias debruçadas sobre o oceano. E a entrada da barra, sobretudo o molhe sul, do recente porto de abrigo, pedras sobrepostas por mão humana a barrar a investida do mar ameaçador sobre a outrora várzea da Orada. A Baleeira e o Biqueirão são duas quimeras esquecidas, esfumadas no horizonte perdido.

Vejo, assim, num mesmo ângulo de visão, o passado (parte dele) e o futuro da nossa terra. Vila de pescadores, até há um quarto de século. Estância de turismo, dos idos de sessenta à actualidade. Terra sabe-se lá de quê, daqui p'rá frente.

Do presente nada enxergo!

Apenas uma névoa que me condiciona a visão, qual tarde obscura de invernia à beira do mar acossado, gaivotas sobre a  terra a esvoaçar em busca de alimento. Que o mar, pérfido, já não tem peixe.

Do presente, apenas se me afigura uma miragem pungente de descalabro e desolação. O Cais Herculano, exemplo acabado da prostituição de que foram alvo recente alguns dos mais nobres recantos da cidade, onde o Polis a passos lentos, inexoravelmente, destrói o que de mais genuíno ainda se conservava entre nós.

Mágoa funda, fundada mágoa! Que não encontra consolo entre as paredes, pedras mortas (assassinadas) de Albufeira.