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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Entre a serra e o mar...

albufeiradiario, 06.02.07

PADERNE VÍTIMA DE ATENTADO

                                 

ZÉ D'ALBUFEIRA

Extensão da pirosa marina de Albufeira no barrocal do concelho?

Intervenção tipo Polis numa das aldeias (ainda) típicas do Algarve?

Nada disso. Apenas a nova escola EB 1 da bela Paderne. A nossa Paderne, rústica, adorável povoação da beira-serra albufeirense, qual presépio de branco casario, toscos beirais, incrustado na encosta verdejante, estirado ao sol que a todos aquece. [Parece que aquece os miolos mais a uns que a outros].

Estivessem  Madressilva, Violeta, Rosa e Hortênsia, saudosas poetisas que tão bem cantaram Paderne, entre nós - e as suas verves zurziriam por certo contra este atentado à autenticidade (e simplicidade) da sua terra natal!

Um gajo porreiro

albufeiradiario, 05.02.07

ZÉ ALEMÃO, AMIGO DO PEITO

                                ZÉ D'ALBUFEIRA                                

Escrevo acompanhado de um cálice de medronho (só um!) que me ofereceu o meu amigo Zé Alemão. O medronho, não o cálice. Esse, herdeio-o dos meus antepassados. Hoje, valia um dinheirão na feira das velharias. O que é antigo é que é bom!

O Zé Alemão é um indefectível do Imortal de Albufeira, que toda a gente conhece na nossa cidade e nas terras onde o Imortal vai jogar. Ganhou o apelido por ter sido emigrante na Alemanha, onde trabalhou no duro durante alguns (difíceis) anos. E também, é verdade, porque se parece com os nativos daquelas paragens. É um loiro bonitão! - como diz a Adélia, a sua mulher.

Pois o bom do Zé Alemão, que faz na Câmara o último percurso para a reforma, deu agora em agricultor. Proprietário de uma quinta na Guia, tem-se dedicado ultimamente à produção de 'coisas' boas: óptimo vinho 'novo', néctar de boa cepa e superiormente vinificado; excelente medronho (destilado a partir de medronhos, o que já é raro!); apetitosos figos cheios à moda antiga... Eu sei lá!, o homem, agora à beira de fazer 69 (anos - em que é que pensam?) sente-se rejuvenescido com toda esta actividade. E, então, alegria das alegrias, reparte com os outros - os amigos - aquilo que a natureza lhe dá. E a sua habilidade compõe.

Do Zé Alemão retenho boas recordações. Ao longo dos anos, a amizade sincera - que é apanágio dos simples - uniu-nos e às nossas famílias. O episódio que mais vezes me vem à mente foi aquele em que, numa época futebolística que ficou marcada, há anos atrás, por um fiscal de linha (agora árbitro substituto) ter sido atingido por uma garrafa de água, ele Zé Alemão, no Campo da Palmeira, ter gritado para um árbitro que estava a prejudicar o Imortal: "põe-te a pau, senão levas com uma garrafa nos cornos... mas é uma garrafa de gás!"

É um gajo porreiro, este Zé Alemão.

Memórias de um 'outro' Algarve (das amendoeiras em flor)

albufeiradiario, 04.02.07

AMENDOEIRAS FLORINDO

AO LUAR

Maria da Conceição Elói 'Madressilva'

[n. Paderne em 31/08/1898  f. Faro em 7/12/1979]

.

Ao de leve

De mansinho

Cai a neve

No caminho…

 

E o luar desce do céu

Como um véu

De uma noiva encantadora,

Que a cismar

O estendesse a voar

Aos pés de Nossa Senhora.

 

E por toda a Natureza,

Como um murmúrio de reza

Fica nossa alma a sonhar,

Absorta horas inteiras

Na branca luz do luar,

Na flor das amendoeiras.

 

Umas de cândida alvura

- Que nem a neve mais pura –

E a cor das outras rosada,

Aquela mimosa cor

Com que o celeste Pintor

Tinge o céu de madrugada.

 

Charnecas são um encanto,

As planícies outro tanto

E assim,

Em cada canto e recanto,

O Algarve é um jardim!

 

E a lua sobe a sonhar,

Envolta em véu de tristeza,

Que a sua voz – o luar

Tem mistérios de beleza…

 

Anda um perfume ao de leve,

Vago e breve,

A evolar-se no ar…

No céu azul, luz e cor,

Há pétalas no caminho,

E o vento ensaia baixinho

Uma alegria de amor.

 

Vem o orvalho chorar

Pelos vales e montanhas

Diamantes a brilhar,

Em que depois o luar

Põe fulgurações estranhas

 

Oh! meu Algarve! Canteiro

Que no Inverno é mais lindo,

Com seu luar de Janeiro

E amendoeiras florindo!

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