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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Poeta algarvio

albufeiradiario, 14.03.21

Poemas de João Braz

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                                                                                                                                                                d.r.

ZÉ D'ALBUFEIRA

Interrompo hoje a série de publicações da poetisa albufeirense Maria da Conceição Elói (Madressilva) para trazer à ribalta est'outro grande vate algarvio, João Braz, nascido em S. Brás de Alportel a 13 de Março de 1912 (completaria ontem 109 anos) e falecido em Portimão a 22 de Junho de 1993.

 
O mundo, pião de Deus 
 
- Nunca em tal tinha pensado!
E fiquei muito admirado
com a lição que aprendi...
Roda o Mundo... e o caso é
que eu ando a rodar em pé
e ainda não entonteci!
Ora um dia, em pequenino,
disseram-me que o destino
e mares, terras, e céus
eram fruto de labôr
insano do Creador
e o Creador era Deus....
Mas, pondo o caso em estudo
reparo que nisto tudo
reina grande confusão;
pois no Céu, seria asneira
Deus andar, por brincadeira,
Sempre a jogar ao pião.....
E nem o meu professor
decifra, sem aranzel
este segredo profundo:
- Onde é que Nosso Senhor
foi arranjar um cordel
p'ra fazer
rodar o Mundo?
 
Quadras soltas
 
Toda a riqueza que em vida
alcança a nossa ambição,
Pela morte é reduzida
A sete palmos de chão. 
 
Pedi. Disseste que não.
Mas com tal graça me olhaste,
que eu tive de ser ladrão
Do beijo que me negaste.
 
Com riquezas não me iludo,
Que a fortuna nada indica.
- Falta às vezes quase tudo
A gente que é muito rica.
 
A alegria, quando passa,
Nunca pára em meu caminho...
É mais amiga a desgraça,
Que não me deixa sozinho...

Autárquicas 2021 / Albufeira

albufeiradiario, 12.03.21

Avançam os principais protagonistas

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                                                                                                                                  ALBUFEIRA SEMPRE (arquivo)

ZÉ D'ALBUFEIRA

José Rolo nunca ganhou uma eleição para presidente da Câmara (por duas vezes assumiu o lugar em regime de substituição) - nem vai ganhar.

Com o tradicional eleitorado PSD dividido entre ele, Desidério Silva e Abel Zua, todos da mesma área política, quem acabará por sair vencedor da contenda é Ricardo Clemente, caso o PS consiga congregar a sua base eleitoral, dispersa nos últimos anos por razões várias, a que não é alheia a estagnação do partido e uma confrangedora falta de estratégia.

Curiosamente, uma das grandes responsáveis dessa situação, antiga presidente da comissão política local, caraterizada pelo seu cinzentismo e inoperância, passou-se de armas e bagagens para as hostes do antigo presidente do Município. Está para ver se este tirará dessa mudança alguma vantagem nas urnas... Se tem esperança de que Emília Bexiga opere uma transferência do eleitorado socialista, bem pode tirar o cavalinho da chuva, tal foi o marasmo do seu mandato à frente do PS.

Estou em crer que a real disputa se travará entre Ricardo e Desidério, com a balança a inclinar-se, eventualmente, para o primeiro. Até porque o eleitorado de centro esquerda/centro direita que normalmente dita as vitórias em Albufeira, há muito reclama uma mudança significativa na gestão do Município.

E, quer Desidério quer Rolo, já mostraram até à exaustão aquilo de que são e, sobretudo, de que não são capazes, sendo grande o distaciamento dos munícipes em relação à (fraca) prestação deste último.

Resta, portanto, testar o cabeça de lista que representa o centro esquerda (seria abusivo, no presente contexto da política nacional, considerar o PS de esquerda).

Para tanto, deverá apresentar-se com um programa e uma equipa que façam a diferença - o que, na realidade, ainda se não viu.

É bem verdade que falta os pequenos partidos apresentarem as suas caras, mas em nenhum caso interferirão nesta disputa.

Tendo presente embora que em eleições locais se vota nas pessoas mais do que nos partidos - é meu entender que no próximo sufrágio ainda se fará sentir um enorme peso dos partidos do centrão.

Para já, Desidério Silva parece ter partido com vantagem no terreno, face à máquina bem oleada que esta quarta-feira tirou da manga um trunfo de marketing: uma apresentação teatral a que os jornais regionais, àvidos de notícias não-covid, se atiraram como cão a bofe (sem ofensa à comunicação social presente).

O homem que transforma a madeira em obras d'arte

albufeiradiario, 10.03.21

José da Piedade Vieira

um artista popular albufeirense

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ZÉ D'ALBUFEIRA

Este homem, José da Piedade Vieira, se exercesse a sua atividade num outro concelho vizinho, há muito teria sido contratado pelo respetivo Município para transmitir os seus conhecimentos e experiências num centro de artes e ofícios.

Ou para dar aulas em estabelecimentos de ensino público e/ou cooperativo.

Em Albufeira... é quase ignorado pelos detentores do Poder Local.

Não dá votos como as obras anunciadas em ano de eleições.

Até para conseguir um espaço público para exposição (temporária) das suas obras - é uma carga de trabalhos.

Fotos ALBUFEIRA SEMPRE

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Aniversário de João de Deus

albufeiradiario, 08.03.21

O eterno 'Poeta do Amor'

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ZÉ D'ALBUFEIRA

Passa hoje, 8 de Março, o 191º aniversário do nascimento do grande vate algarvio João de Deus.

A efeméride é comemorada em S. B. de Messines, sua terra natal, com um conjunto de iniciativas (este ano, por culpa da pandemia, integradas no programa municipal “Silves Entre 4 Paredes”) que visa manter viva a memória do eminente poeta e pedagogo, que a História pátria regista como o poeta do amor. 

Recorde-se que foi João de Deus o criador da 'Cartilha Maternal', pela qual  gerações de portugueses aprenderam as primeiras letras. Ainda hoje, é utilizada com êxito nos Jardins-Escola de que é patrono.

Dele disse um dia Eça de Queiroz, outro enorme vulto da nossa literatura: "João de Deus é a alma poética do povo português".

Amor

Não vês como eu sigo
Teus passos, não vês?
O cão do mendigo
Não é mais amigo
Do dono talvez!

Ao pé de uma fonte
No fundo de um vale,
No alto de um monte
Do vasto horizonte,
Sem ti estou mal!

Sem ti, olho e canso
De olhar, e que vi?
Os olhos que lanço,
Acharem descanso,
Só acham em ti!

Os ventos que empolam
A face do mar,
E as ondas que rolam
Na praia, consolam
Tamanho pesar?

As formas estranhas
De nuvens que vão
Roçando as montanhas
Em ondas tamanhas
Distraem-me? Não!

A pomba que abraça
No ar o seu par,
E a nuvem que passa,
Não tem essa graça
Que tens a andar!

Parece o pezinho,
De lindo que é,
Ligeiro e levinho
O de um passarinho
Voando de pé!

O rosto, há em torno
Da pálida oval,
Daquele contorno
Tão puro, o adorno
Da auréola imortal!

Não sei que luz vaga,
Mas íntima luz,
Que nunca se apaga,
Me inunda, me alaga,
Se os olhos lhe pus!

Eu amo-te, e sigo
Teus passos, bem vês!
O cão do mendigo
Não é mais amigo
Do dono talvez!

João de Deus, in 'Campo de Flores'

Dia da Mulher - 8/março

albufeiradiario, 08.03.21

Sem sentido

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                                                                                                                                                                                                         d.r.

ZÉ D'ALBUFEIRA

Hoje em dia já não faz sentido comemorar um Dia da Mulher.

Longe vão os tempos em que a emancipação do belo sexo (ou sexo fraco, como comummente aceite) era uma necessidade gritante, um dado adquirido por toda a gente.

Agora... elas é que mandam! Em casa. No emprego. Na vida.

Nem preciso argumentar. Tão evidente é o seu peso na sociedade atual.

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A poesia de

albufeiradiario, 07.03.21

Maria da Conceição Elói

(Madressilva)

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Saudade

Andam meus olhos tristes e cansados,

E para mim é tudo indiferente,

Nem aprecio, como antigamente,

Os perfumes subtis e delicados.

 

Da mágoa imensa que a minha alma sente,

A meus ouvidos, chegam sons magoados,

Na vida os passos, são descompassados

Pela presença de outra vida ausente…

 

Sinto na alma aquela chama estranha

Que de hora a hora, sempre me acompanha

Num misto de tortura e ansiedade.

 

É uma dor, velada de incerteza,

É tão sentidamente portuguesa,

A que nós damos nome de saudade.

Num 'outro' tempo

albufeiradiario, 01.03.21

A primavera da esperança

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                                                                                                                                                                                                         d.r.

ZÉ D'ALBUFEIRA

Entre muitas coisas que alterou em nós, a pandemia deu-nos uma diferente noção (da marcha) do tempo, enquanto somatório de instantes que compõem a vida.

Mesmo a sequência dos períodos a que se convencionou chamar dias, semanas, meses e anos - parece ter desiguais sentidos  em relação ao 'antes'.

Digamos que há uma prostituição do tempo, com novas perceções assumidas intrinsecamente, pese ambora as equações matemáticas se mantenham inalteráveis.

É assim que, neste embalar coletivo em que nos deixamos acalentar, nem nos damos conta de que hoje tem início o mês que introduz a primavera.

Em anos anteriores, estaríamos a augurar bons dias para o turismo vindouro - que o mesmo é dizer para a economia da região. E também um novo período alargado de alegria e esperança nas nossas vidas em família.

Porém, tudo isto cai por água abaixo por força da pandemia, essa malvada que nos condiciona, a torto e a direito...

Sem nunca esmorecer, acreditemos que melhores dias virão!

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