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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

(sexta) feira de poesia

albufeiradiario, 28.11.25

Emiliano da Costa

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Aldeia Branca

Circunscrito à moldura da janela,
Vai o quadro do dia já a meio,
Potes de azul derramam-se na tela
E o sol a rir-se, a rir, bate-lhe em cheio.


Que inundação! Por cima de quintais,
Sobre telhados, torres, parreiras,
É o céu, é o céu azul demais!
Aflita, a aldeia acorre: e o ar atira


O gesso, a cal, chapões de claridade,
A ver se a cor deslava, o azul se atira.
Que superabundância – a claridade!


E eu visto a bata de escaiolador.
E eu sou espátula, pincel, pintor.
E eu já não sei o que faça a tanta cor.

A redação do Joãozinho

albufeiradiario, 25.11.25

Joãozinho é uma criatura encantadora. Com apenas 5 anos, frequenta o 3º ano do Ensino Básico (antiga 3ª. classe da Escola Primária). E embora com algumas dificuldades na escrita do Português (por exemplo, não sabe fazer a pontuação) tem uma capacidade de relato e de crítica fora do normal. É o que hoje se chama uma verdadeira criança hiperdotada.

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Este ano não vai haver feira franca em Albufeira o meu paizinho diz que não é por falta de espaço é por falta de vontade das pessoas que governavam a seu bel-prazer mas não têm nenhuma consideração pelos pobres como eles podem ir a lojas caras não querem saber das famílias com mais dificuldades que habitualmente têm de recorrer às feiras e aos mercados para  comprar agasalhos para o inverno e brinquedos para enganar o Natal dos filhos e como também disse a minha professora por mais que se escondam por trás de desculpas esfarrapadas como o vereador que durante quatro anos serviu de muleta ao ppd é mesmo por falta de vontade pois para programarem as festas de fim do ano e as iluminações do Natal não lhes faltou a vontade porque a vontade de receber luvas falou mais alto e a feira não lhes dá luvas por isso deixaram a batata quente para a extrema direita que como diz o meu paizinho também não resolveram o problema porque apesar de estarem sempre a apregoar que defendem o povo eles são é pupulistas nem sei escrever mas é como diz a senhora professora eles também não querem saber dos pobres querem é criar as condições para dar a volta a isto tudo e anular o 25 de abril olha em que mãos é que nós havíamos de cair...

(sexta) feira de poesia

albufeiradiario, 21.11.25

António Gedeão *

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Lágrima Preta
 
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
 
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
 
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
 
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
 
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
 
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
 
* Rómulo de Carvalho (António Gedeão)

76º aniversário do enorme poeta repentista algarvio

albufeiradiario, 16.11.25

António Aleixo vivo hoje

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ZÉ D'ALBUFEIRA *

Nascido em Vila Real de Santo António a 18 de fevereiro de 1899, veio a falecer em Loulé a 16 de novembro de 1949, local para onde foi viver com a família aos 7 anos de idade.

Considerado um dos poetas populares portugueses de maior relevo, afirmando-se pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos, António Aleixo também é recordado como homem simples, humilde e semi-analfabeto, e ainda assim ter deixado como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX.

António Fernandes Aleixo começa cedo a destacar-se. Aos 10 anos fazia quadras de improviso nas janeiras. Desde cedo, o jovem Aleixo mostrou-se atento ao mundo que o rodeava, seguiu as pisadas do pai e foi aprendiz de tecelão. Aos 11 anos assiste à implantação da República e identifica-se com os valores da igualdade, fraternidade e liberdade.

Prestou serviço militar em Faro, ingressando depois na Polícia de Segurança Pública da mesma cidade, mas o poeta não se revia nessa função, pelo que passados 18 meses termina essa missão. Nesse ano, 1924, casa com Maria Catarina Martins, nascendo dessa união seis filhos. Num Portugal pobre, com um regime totalitário, Aleixo emigra quatro anos depois para França, onde permanece três anos.

De regresso a Loulé, ganha, cada vez mais, popularidade pelo seu pensamento e pela sua expressão, com uma poesia de “improviso”.

Algumas das suas quadras, mais espontâneas, começaram a andar de boca em boca, e por isso em 1937, nos Jogos Florais de Faro, onde foi premiado, conhece um homem que o iria ajudar a voar mais alto e a dar-lhe novos palcos - Joaquim Magalhães, casado com a louletana D. Célia de Magalhães e professor (mais tarde reitor) do Liceu de Faro.

O dr. Joaquim Magalhães começa a registar as quadras de Aleixo, tornando-se um dos seus principais divulgadores. O poeta com orgulho dizia: "Não há nenhum milionário/ que seja feliz como eu:/ tenho como secretário/ um professor do liceu". Com a ajuda do dr. Magalhães Aleixo publica em vida três livros: Quando começo a cantar (1943); Intencional (1945) e Auto da Vida e da Morte (1948) – no ano a seguir à sua morte é publicado o Auto do Curandeiro e o Auto do Ti Joaquim.

No ano da edição do primeiro livro, a tuberculose, doença muito comum, ataca-o e leva-o ao Sanatório de Coimbra onde conhece Paulo Quintela, Tóssan  (também internado) e Miguel Torga, dedicando, a este último um poema: “Por não ter outros melhores/ Este meu livrinho ofereço/ Ao maior entre os maiores/ Poetas que eu conheço”, como refere na carta que envia a 24 de Fevereiro de 1949 - de Coimbra - a Joaquim Magalhães.

Faleceu vítima de uma tuberculose, a 16 de novembro de 1949, doença que tempos antes havia também vitimado uma de suas filhas.

Aleixo era um artista e um humanista, o poeta define artista como: Ser artista é ser alguém!/ Que bonito é ser artista.../ Ver as coisas mais além do que alcança a nossa vista!, coincidindo com a leitura que Graça Dias Silva faz do poeta e da sua obra – um Homem que, apesar das adversidades da vida, ama o progresso e sonha com um novo mundo.

Estilo literário

Poeta possuidor de uma rara espontaneidade, de um apurado sentido filosófico e notável pela «capacidade de expressão sintética de conceitos com conteúdo de pensamento moral», António Aleixo tinha por motivos de inspiração desde as brincadeiras dirigidas aos amigos até à crítica sofrida das injustiças da vida. É notável em sua poesia a expressão concisa e original de uma "amarga filosofia, aprendida na escola impiedosa da vida".

A sua conhecida obra poética é uma parte mínima de um vasto repertório literário.

O poeta, que escrevia sempre usando a métrica mais comum na língua portuguesa (heptassílabos, em pequenas composições de quatro versos, conhecidas como "quadras" ou "trovas"), nunca teve a preocupação de registar as suas composições. Foi o trabalho de Joaquim de Magalhães, que se dedicou a compilar os versos que eram ditados pelo poeta no intuito de compor o primeiro volume de suas poesias (Quando Começo a Cantar). Com o posterior registo do próprio poeta, tendo o incentivo daquele mesmo professor, a obra de António Aleixo adquiriu algum trabalho documentado.

Antes de Magalhães, contudo, alguns amigos do poeta lançaram folhetos avulsos com quadras por ele compostas, mais no intuito, à época, de angariar algum dinheiro que ajudasse o poeta na sua situação de miséria que com a intenção maior de permanência da obra na forma escrita.

* Com 'CM Loulé', 'Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura' e 'Wikipédia'.

(sexta) feira de poesia

albufeiradiario, 14.11.25

Natércia Duarte

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Poema para uma migrante afogada
Tenho nos olhos um sol-pôr amargo
Sou sereia sem canto, naufragada
Não tive leme nem navio ao largo
Na vida que queria madrugada.
Leva-me o vento, olho o horizonte
Mas não vejo cais nem feliz acaso
Os sonhos de cá são rios sem ponte
O medo de lá é estéril e raso.
A seiva dos olhos, de chorar por ti
Ó terra que deixo, meu torrão em brasa
Na areia onde jazo é de pó e bruma.
 
Beijam-me as ondas, vou ficar aqui
Deitada na praia, gaivota sem asa
Meu sonho é agora de coisa nenhuma.

DIÁRIO não diário * Zé d'Albufeira

albufeiradiario, 12.11.25

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12 de novembro de 2025

"A minha Pátria é a Língua Portuguesa", escreveu um dia o enorme PESSOA.

Que diria ele se cá voltasse e se se deparasse com tanto escriba a redigir com erros ortográficos, de sintaxe e outros desacertos das regras gramaticais - autênticos erros de palmatória ?

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Adega de Lagoa ('Única')

albufeiradiario, 08.11.25

Vinho para os olhos

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d.r.

ZÉ D'ALBUFEIRA

Em recente intervenção no edifício polémico da ex-Adega Cooperativa de Lagoa (agora 'Única'), o Presidente da Câmara terá revelado que o Município está a trabalhar para que, num futuro próximo, a Adega volte a laborar naquele concelho, adiantando que o antigo edifício será intervencionado, e irá acolher um Museu do Vinho, que integrará um ponto de enoturismo da própria Adega, dedicado à realização de visitas, provas e experiências de degustação.

Queremos acreditar que não se trata de atirar areia para os olhos - neste caso vinho para os olhos - dos lagoenses, cuja memória coletiva sai profundamente ofendida de todo o processo (nebuloso) envolvendo aquele que foi o maior polo de desenvolvimento de Lagoa durante décadas...

(sexta) feira de poesia

albufeiradiario, 07.11.25

João de Deus

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Dia de Anos

Com que então caiu na asneira

De fazer na quinta-feira

Vinte e seis anos! Que tolo!

Ainda se os desfizesse…

Mas fazê-los não parece

De quem tem muito miolo!

 

Não sei quem foi que me disse

Que fez a mesma tolice

Aqui o ano passado…

Agora o que vem, aposto,

Como lhe tomou o gosto,

Que faz o mesmo? Coitado!

 

Não faça tal; porque os anos

Que nos trazem? Desenganos

Que fazem a gente velho:

Faça outra coisa; que em suma

Não fazer coisa nenhuma,

Também lhe não aconselho.

 

Mas anos, não caia nessa!

Olhe que a gente começa

Às vezes por brincadeira,

Mas depois se se habitua,

Já não tem vontade sua,

E fá-los, queira ou não queira!

ALDRA...

albufeiradiario, 06.11.25

Albufeira segunda casa ???

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                                                                                                                                                                                                           d.r.

ZÉ D'ALBUFEIRA

Em declarações à comunicação social, no primeiro dia de mandato, o nóvel presidente de Albufeira eleito pela extrema-direita assumiu-se como um louletano com grande proximidade a Albufeira.

«Moro a 15 minutos, quase na periferia. Passei aqui grande parte da minha juventude, tenho muitas pessoas conhecidas e amigas. Albufeira acaba por ser a minha segunda casa, e que agora passa a ser a primeira».

Verdade?

Alguém viu por aqui este senhor antes da campanha eleitoral?

Só se frequentava a noite de Albufeira...

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