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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

11 de janeiro de 1896

albufeiradiario, 11.01.26

Aniversário da morte de João de Deus

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ZÉ D'ALBUFEIRA

Passa este domingo mais um ano sobre a morte, em Lisboa, do ilustre algarvio João de Deus, eminente poeta e pedagogo, autor da Cartilha Maternal, natural de S.B. de Messines .

Amor

Não vês como eu sigo
Teus passos, não vês?
O cão do mendigo
Não é mais amigo
Do dono talvez!

Ao pé de uma fonte
No fundo de um vale,
No alto de um monte
Do vasto horizonte,
Sem ti estou mal!

Sem ti, olho e canso
De olhar, e que vi?
Os olhos que lanço,
Acharem descanso,
Só acham em ti!

Os ventos que empolam
A face do mar,
E as ondas que rolam
Na praia, consolam
Tamanho pesar?

As formas estranhas
De nuvens que vão
Roçando as montanhas
Em ondas tamanhas
Distraem-me? Não!

A pomba que abraça
No ar o seu par,
E a nuvem que passa,
Não tem essa graça
Que tens a andar!

Parece o pezinho,
De lindo que é,
Ligeiro e levinho
O de um passarinho
Voando de pé!

O rosto, há em torno
Da pálida oval,
Daquele contorno
Tão puro, o adorno
Da auréola imortal!

Não sei que luz vaga,
Mas íntima luz,
Que nunca se apaga,
Me inunda, me alaga,
Se os olhos lhe pus!

Eu amo-te, e sigo
Teus passos, bem vês!
O cão do mendigo
Não é mais amigo
Do dono talvez!

João de Deus, in 'Campo de Flores'

DIÁRIO não diário * Zé d'Albufeira

albufeiradiario, 10.01.26

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                                                                                                                                                                                                              d.r.

10 de janeiro de 2026

Este palhaço e o outro da extrema-direita concorrem para desprestigiar a função, denegrir as instituições democráticas e destruir a Democracia.

DIÁRIO não diário * Zé d'Albufeira

albufeiradiario, 09.01.26

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                                                                                                                     d.r.

09 de janeiro de 2026

Perante os mais recentes escândalos na emergência pré-hospitalar, o PM anunciou ontem a aquisição de 275 novas ambulâncias para o INEM.

Montenegro usou de condenável demagogia para apagar os sinais de negligência e gestão incompetente (da ministra, dele próprio e do presidente do Instituto), que levaram à morte de três cidadãos em dois dias.

(sexta) feira de poesia

albufeiradiario, 09.01.26

Natália Correia

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A Arte de Ser Amada

 

Eu sou líquida mas recolhida
no íntimo estanho de uma jarra
e em tua boca um clavicórdio
quer recordar-me que sou ária

aérea vária porém sentada
perfil que os flamingos voaram.
Pelos canteiros eu conto os gerânios
de uns tantos anos que nos separam.

Teu amor de planta submarina
procura um húmido lugar.
Sabiamente preencho a piscina
que te dê o hábito de afogar.

Do que não viste a minha idade
te inquieta como a ciência
do mundo ser muito velho
três vezes por mim rodeado
sem saber da tua existência.

Pensas-me a ilha e me sitias
de violinos por todos os lados
e em tua pele o que eu respiro
é um ar de frutos sossegados.

Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"

(sexta) feira de poesia

albufeiradiario, 02.01.26

Samora Barros

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                                                                                                                                                      Auto-retrato

Tenho a casa cercada de arvoredo
 
Tenho a casa cercada de arvoredo
E as altas trepadeiras, de mãos dadas
Cingem-na toda. E olho-as quase a medo
Porque tenho as saídas já vedadas!...
 
Quando pequeninas, tão amimadas!...
Ia cavá-las logo de manhã cedo,
E nos botões das flores engrinaldadas
Eu sentia sorrir-me o raizedo!!...
 
E assim, criei esse meu Ninho - Ideal
Que me estrangulou toda a esp'rança querida
De uma vida feliz e sempre igual...
 
É que um Ideal é Força - Homicida
Por nós alimentada, e que afinal
Nos mata, quando lhe damos a Vida!!...»
Sonetos, Samora Barros, 1966