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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Albufeira Sempre

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Marina de Albufeira

albufeiradiario, 14.07.06

UMA APOSTA PERDIDA?

ZÉ D'ALBUFEIRA

Quando era puto, lembro-me,  a pesca artesanal e a agricultura surgiam como as (únicas) actividades económica com algum significado no concelho.

De turismo, só se houvia falar em relação ao Estoril e à Praia da Rocha. Pràqui vinham alguns alentejanos que animavam a vila (gruta alentejana, esplanada do túnel, praia do Peneco...) durante os meses de verão.

A maior aspiração dos pescadores era a construção de um porto de abrigo. Local apontado: a Baleeira, pelas condições naturais de que desfrutava.

Descoberto na década de  sessenta o Algarve como destino turístico de excelência,  logo Albufeira, pela beleza  do  casario sobranceiro ao mar e hospitalidade das suas gentes,  emerge como 'a menina bonita do turismo algarvio', a vila branca em mar azul saída da pena do eng. Ramiro Guedes de Campos, poeta com casa de férias junto ao posto da guarda. Essa casa, mais tarde adquirida por alguém desprovido de bom gosto, deu lugar há meia dúzia de anos, com o beneplácito da Câmara,  a um  mamarracho sem imaginação.

Sem nunca esquecer a necessidade do porto de pesca, surge a idéia de construir na várzea da Orada, pela sua intimidade com a baía e a Baleeira,  uma marina capaz de albergar os imponentes iates que demandavam a costa algarvia, dotada entretanto com a magnífica marina de Vilamoura.

Após vicissitudes de vária ordem, ao longo dos anos, é implementado nos finais de noventa o porto de recreio de Albufeira, mais tarde chamado marina de Albufeira, que em boa verdade não passa de um tanque. Porque os investidores, atentos à especulação imobiliária, deram total primazia a esta vertente, reduzindo a presença das águas à mais ínfima expressão.

Para melhor rentabilizar o investimento, encarregaram da concepção do projecto um arquitecto de renome internacional e méritos garantidos - e o que saíu foi aquele escarro na paisagem, as casinhas do lego na gíria popular.

Chegados aqui, o que se sente é que a marina não tem vida. Não caíu no goto das pessoas. Nem nas de cá nem nas que chegam diariamente, seja para passar férias ou investir em negócios.

E os iates, esses continuam a passar ao largo.

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contacto - albufeirasempre@sapo.pt

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