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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Graves atropelos às liberdades

albufeiradiario, 20.02.09
PARECE QUE VOLTÁMOS À DITADURA
              ZÉ D'ALBUFEIRA                             No domingo, Torres Vedras irá exibir nus dos ministros das Obras Pública, Mário Lino, e da Economia, Manuel Pinho, mas na forma de anjos foto "C.M."

Previamente "autorizado" pelo Zé da Galé (vd. seu comentário ao post "Tradição Carnavalesca") e com pedidos de desculpas dirigidos aos restantes visitantes do ALBUFEIRAsempre que acham que eu nunca deveria tratar temas não relacionados especificamente com Albufeira - vejo-me forçado, porque a indignação é muito forte, a escrever sobre dois atentados às liberdades públicas ontem perpetrados no nosso País, que nem no tempo da ditadura salazarista eram assim tão facilmente praticáveis.

Em primeiro lugar, refiro-me ao que se passou em Torres Vedras, onde a adjunta do Procurador-Geral da República proibiu - pura e simplesmente proibiu! - a inclusão de uns desenhos de imagens de nús femininos (pornográficos na sua douta opinião) no écran figurado do sobejamente conhecido computador "Magalhães", numa sátira construída no âmbito dos tradicionais festejos carnavalescos em preparação.  No Carnaval, em escritos ou em corsos carnavalescos, sempre foi tradição em Portugal (e no resto do mundo onde o Entrudo se comemora), apresentar reproduções de figuras humanas nuas, em poses provocadoras e, até, c. das caldas devidamente escarrapachados. Nada que ninguém não tivesse visto. Nem as pretensas puras donzelas, quais virgens arrependidasdelegadas do Ministério Público...

É absolutamente vergonhoso - tanto mais vergonhoso para a estrutura do poder judicial - que isto se tenha passado em Portugal, mais de trinta anos decorridos sobre o derrube do fascismo e da  censura.

Outro episódio lamentável aconteceu em Lisboa, onde a polícia de intervenção (mais uma vez a lembrar os tempos da ditadura) foi chamada para impedir que os jornalistas, em legítimo e legal exercíco de funções, ocupassem o passeio junto às instalações do DCIAP. Os  peões anónimos que por ali circulavam podiam utilizar o passeio (é para isso, aliás, que ele existe), mas os jornalistas, segundo a polícia "por razões de segurança", tiveram de ser expulsos daquele espaço público e mantidos à distância, impedidos de desempenhar cabalmente a sua função de informar, aliás, reconhecida e garantida pela Constituição da República e pela Lei de Imprensa.

São dois atropelos de mau augúrio que o povo certamente gostaria de não ver repetidos. E era bom que o não fossem, de facto. Para que não comecem a crescer no âmago de cada um novos medos em relação ao futuro. Já basta a apreensão e a angústia causadas pelas péssimas expectativas económicas e financeiras que se vislumbram no horizonte.

 

Actualização (20/02/09 às 20H15) - A srª. Procuradora-adjunta já deu o dito por não dito e anulou a decisão anterior, permitindo a reposição das imagens que havia censurado.

Se não tivesse agido precipitadamente (o que não se aceita num magistrado), bem podia a douta representante do MP ter deixado de ridicularizar a Justiça. Já basta que ela ande tão baixa quanto anda...

 

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