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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Elas aí estão uma vez mais (cada vez menos...)

albufeiradiario, 29.01.10

AS AMENDOEIRAS EM FLOR

ZÉ D'ALBUFEIRA            d.r.

Janeiro a entrar pelo mês do Entrudo, eis que se manifestam, mejestosas e seguras, incontornáveis na sua beleza natural, as últimas resistentes da luta, sempre desigual e sempre repetida, contra o crescimento urbano. As amendoeiras em flor.

À beira da plena floração, adornam com ternura os campos sequiosos do Algarve. Incomparáveis. Fascinantes até à medula. Alvura ímpar e inesquecível, a suscitar a memória das grandes lonjuras da neve branca e fria que o rei nórdico quiz um dia fazer reflectir no Algarve, para alegria e libertação da sua princesa encantada.

O espectáculo único, deslumbrante, encantador das amendoeiras em flor tolda-nos completamente os sentidos. Não tem, nos limites do imaginável, qualquer motivo de comparação a brancura rosada da neve algarvia.

Quase todos os poetas deste rincão sulino cantaram, cada um à sua maneira, as belezas infindáveis da floração das amendoeiras. Mas, para mim, o poema mais belo, mais encantador e mais condizente com o sentido profundo do povo genuíno do Algarve é aquele que um dia rimou a nossa conterrânea, a poetisa Marquinhas Elói ("Madressilva") - Maria da Conceição Elói de seu nome de baptismo.

Não me canso, por isso, de repetir - já é a terceira ou quarta vez que o faço neste blog, sempre com profundo amor pela minha terra e por aqueles que a souberam cantar superiormente - os versos dessa discreta mulher algarvia que aguarda, no recato dos ricos de espírito que aqui peregrinaram como simples, humildes, mortais, que à sua mensagem poética seja reconhecido pelos viventes o valor que ela realmente encerra.

*fotos ALBUFEIRAsempre

 

 

AMENDOEIRAS FLORINDO

AO LUAR

Maria da Conceição Elói 'Madressilva'

[n. Paderne em 31/08/1898  f. Faro em 7/12/1979]

.

Ao de leve

De mansinho

Cai a neve

No caminho…

 

E o luar desce do céu

Como um véu

De uma noiva encantadora,

Que a cismar

O estendesse a voar

Aos pés de Nossa Senhora.

 

E por toda a Natureza,

Como um murmúrio de reza

Fica nossa alma a sonhar,

Absorta horas inteiras

Na branca luz do luar,

Na flor das amendoeiras.

 

Umas de cândida alvura

- Que nem a neve mais pura –

E a cor das outras rosada,

Aquela mimosa cor

Com que o celeste Pintor

Tinge o céu de madrugada.

 

Charnecas são um encanto,

As planícies outro tanto

E assim,

Em cada canto e recanto,

O Algarve é um jardim!

 

E a lua sobe a sonhar,

Envolta em véu de tristeza,

Que a sua voz – o luar

Tem mistérios de beleza…

 

Anda um perfume ao de leve,

Vago e breve,

A evolar-se no ar…

No céu azul, luz e cor,

Há pétalas no caminho,

E o vento ensaia baixinho

Uma alegria de amor.

 

Vem o orvalho chorar

Pelos vales e montanhas

Diamantes a brilhar,

Em que depois o luar

Põe fulgurações estranhas

 

Oh! meu Algarve! Canteiro

Que no Inverno é mais lindo,

Com seu luar de Janeiro

E amendoeiras florindo!

 

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