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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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O poço da morte

albufeiradiario, 08.08.06

DÚVIDAS À VOLTA DA ROTUNDA                                                 

                                  ZÉ D'ALBUFEIRA  

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'Nelson, o homem que riscou do dicionário a palavra medo e escreveu arrojo, audácia, emoção!'

Era assim anunciado o poço da morte nas feiras da minha meninice. Lembram-se?

O primitivo poço da morte, em madeira. No qual pontificavam os motociclistas Nelson e Ruth. Esse casal fascinante de corajosos aventureiros que, com os palhaços, ilusionistas e acrobatas do circo, por vezes também os Avelinos, nos preenchia o  imaginário no Outono de cada ano. 

Desafiavam a morte, no dizer do apresentador. Cruzando-se a alta velocidade com os olhos vendados, ainda o Scollari não era nescido, pela bandeira portuguesa. Depois desfraldada em tom triunfante, para gáudio da assistência e vibrante aplauso. Suscitavam nos espectadores emoções fortes, espalhando entre eles um clima inolvidável de grande euforia e ansiedade. Apimentado pelo ruído ensurdecedor das motos sem escape e o cheiro pestilento da gasolina (mal) queimada.

Meio século volvido, Albufeira alberga de novo um poço da morte. Desta feita em betão.

Assim se chama na gíria a nova rotunda construída no cruzamento do eixo viário com a estrada das Ferreiras. Mal construída, por sinal. Não colocando os quatro pisos no mesmo plano, deixaram desníveis perigosos.

Do poço ninguém consegue descortinar a função. Respiradouro do túnel para passagem de peões? Chaminé de futura sala de fumo?

E o túnel? Servirá mesmo para passagem pedonal? Ou antes para refúgio de marginais? Não continuarão, temendo ser alvo de vandalismo, os peões a atravessar à superfície sem segurança?

Albufeira merecia naquela entrada uma rotunda mais condigna. Enobrecida por um arranjo do género dos (muito bem) conseguidos nas congéneres do eixo viário. Com criatividade, alegria e originalidade. Coisas que vão escasseando por aqui...

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contacto - albufeirasempre@sapo.pt

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