Sábado, 19 de Agosto de 2006
As razões da razão de um albufeirense

Damos hoje à estampa a colaboração prestada por um nosso leitor, cujos pontos de vista subscrevemos integralmente. Tal como - estamos certos - a esmagadora maioria dos verdadeiros albufeirenses (os que são de cá naturais e aqueles que resolveram adoptar como sua esta terra extraordinária, tão maltratada ultimamente).

ALBUFEIRA É UMA REPÚBLICA DAS BANANAS 

                               

COSTA BRAVO                                                                 AlbufeiraPolis 

Definitivamente, embora me custe, devo assumir que vivo numa cidade digna de uma qualquer república bananeira, de nível terceiro mundista. Dir-me-ão que estou a exagerar, mas a verdade nua e crua é que toda a sua dinâmica política, administrativa, social e organizativa, se assemelha em muito com a daquele mundo.

A intervenção daquele sinistro Programa Polis veio pôr "a cereja no cimo do bolo", isto é, se a situação já não era boa, pior ficou.

Fizeram-se as mais disparatadas experiências em termos de intervenção urbanística, resultando daí, uma dispendiosa salganhada de estilos com aplicação de elementos paisagísticos que em nada tem que ver com a história e a arquitectura desta cidade. Só um lunático desprovido de um pingo de senso, poderia defender a construção de três pérgolas (alpendres) no Rossio, completamente desfasadas do meio e sem o mínimo interesse, quer no aspecto estético quer em termos de utilidade.

O mesmo se poderá dizer da construção do silo para automóveis situado na Av.ª 25 de Abril (antiga Concentradora), cujo aspecto exterior está completamente desenquadrado do meio envolvente.

E então o Largo da Meia-Laranja (continuo a chamar-lhe assim) ? É a "coisa" que mais dificuldade tenho em perceber o que é aquilo. Será um palco para futuros desfiles de moda para "a fina flor do entulho" ? Será um espaço destinado a actividades circenses ? Ou será um mamarracho cujos autores ainda estão a pensar qual a uilidade a dar-lhe ?

 E está esta terra sob o jugo dos engenheiros e arquitectos do Polis, os quais põem e dispõem a seu belo-prazer, do aspecto arquitectónico desta cidade.

A Câmara, como é de esperar, assiste impávida e serena à depredação do tudo o que de genuíno esta terra possuía. Este será com certeza, um executivo sempre lembrado não pelo que fez de bem para a cidade, mas sim pelos piores motivos - colaborador na delapidação do património histórico e descaracterização desta cidade. No final do respectivo mandato, sugeria, até, que se colocasse um busto do seu Presidente e outro do famigerado Cercas, no espaço mais "emblemático" da sua obra - Largo da Meia-Laranja. Merecem-no !

O resultado de toda esta "loucura" aí está. Os poucos lugares que existiam para estacionar e transitar viaturas desapareceram. Diziam eles que pretendiam devolver os espaços intervencionados aos transeuntes, eu diria que foram devolvidos aos proprietários dos bares, cafés, restaurantes e afins, os quais puderam aumentar em muito, o espaço no seu exterior, instalando esplanadas, expositores, painéis de publicidade, etc.

Antes havia dificuldade em andar nos passeios e nas ruas por causa dos automóveis, agora ainda é mais difícil, não só por causa do trânsito das viaturas e do seu estacionamento, que cada vez ocupa mais espaço destinado aos peões, como também por causa da ocupação desenfreada do espaço público com esplanadas cada vez mais extensas. Estas até estão isentas do pagamento de taxas pela sua ocupação. Por isso é de aproveitar; é um fartar vilanagem.

Referindo-me especificamente ao trânsito, não consigo entender que se pretende fazer. Colocam-se sinais de trânsito e estacionamento proíbidos, mas ninguém os respeita ou fá-los respeitar. Põem-se sinais que apenas permite o trânsito automóvel a residentes e qualquer bicho careta passa por lá na sua viatura, sem a miníma hesitação.

Verifica-se, pois, uma autêntica anarquia: carros misturados com peões que, por sua vez, transitam junto a cadeiras e mesas das esplanadas, engarrafamentos a todo o instante devido a viaturas mal estacionadas que impedem a circulação de outras, ciclistas a circular por entre a multidão, enfim, isto mais parece as ruas de uma qualquer cidade indiana, onde apenas se nota a falta das vacas sagradas.

As autoridades são chamadas a intervir, mas das poucas vezes que comparecem limitam-se a encolher os ombros porque mesmo que quisessem rebocar um carro mal estacionado, não há espaço para o reboque poder manobrar, tal a amálgama de viaturas em presença.

Mas o pior ainda estará para vir. Se à superfície é o que se está a ver, no subsolo as asneiras feitas em termos de esgotos vão dar que falar. Quando vier a chuva a valer, no Largo da Meia-Laranja vai ser preciso usar botas de borracha e se calhar barcos pneumáticos.

.

contaco - albufeirasempre@sapo.pt

 



publicado por albufeiradiario às 07:00
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