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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Mestre Samora Barros

albufeiradiario, 02.12.11
MARCHA DE ALBUFEIRA
(MARCHAS NO ALGARVE)
ZÉ D'ALBUFEIRA                           d.r.

O meu amigo Jorge Lopes, a propósito da próxima Marcha de Albufeira (4 de dezembro, 9h30), publicou no seu excelente blog MARCHAS NO ALGARVE uma pequena mas elucidativa nota biográfica do saudoso Mestre Samora Barros, que transcrevo com todo o prazer e a devida vénia por uma tripla importância: a importância do pintor, natural da nossa terra, no panorama cultural do Algarve; a importância das marchas no bem-estar dos seus participantes; e a importância do Jorge, sobretudo (mas não só!) na divulgação das marchas. Em que é participante "viciado, faça chuva ou faça sol". [Um dia falaremos do ping-pong, do futebol de salão, do ciclismo, da música...].

José Ricardo Júdice de Samora Barros, de seu nome completo, nasceu em 1887, em Albufeira e aí faleceu em 1972. Recordo a figura "sui generis" de aspecto distinto, o farto bigode, um pouco introvertido, abstrato mas simpático, que impressionava pela postura de artista que cultivava. Estudou direito na Universidade de Coimbra, mas não completou o curso. As artes plásticas não o permitiram, levando-o para a Escola de Belas Artes.

Foi professor de pintura e desenho na Escola Industrial e Comercial de Silves e simultaneamente participante em diversas exposições colectivas em Portugal e no estrangeiro, sendo bastas vezes premiado. Era um naturalista, deixando-nos dezenas de retratos e inúmeras paisagens campestres e marítimas, especialmente da terra que o viu nascer, viver e morrer. Era também um poeta, deixando-nos um livro de sonetos, publicado em 1966.
A galeria de arte de Albufeira, ali no centro, nas instalações da antiga central eléctrica, tem o seu nome, assim como uma rua da cidade e um busto em bronze que o imortaliza. Silves também recorda o seu antigo professor, dando o seu nome a uma rua da cidade.
Em cima um quadro de Samora Barros e a seguir um dos seus sonetos:
 
Tenho a casa cercada de arvoredo
E as altas trepadeiras, de mãos dadas
Cingem-na toda. E olho-as quase a medo
Porque tenho as saídas já vedadas!...

Quando pequeninas, tão amimadas!...
Ia cavá-las logo de manhã cedo,
E nos botões das flores engrinaldadas
Eu sentia sorrir-me o raizedo!!...

E assim, criei esse meu Ninho - Ideal
Que me estrangulou toda a esp'rança querida
De uma vida feliz e sempre igual...

É que um Ideal é Força - Homicida
Por nós alimentada, e que afinal
Nos mata, quando lhe damos a Vida!!...

*Quadro de mestre Samora Barros (foto obtida no blog 'Marchas no Algarve')

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