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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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É bom recordar

albufeiradiario, 19.05.12

Quando a família dava educação

ZÉ D'ALBUFEIRA                           d.r.

Não tenho o prazer de conhecer Lina Vedes pessoalmente, mas penso já a ter descoberto um pouco pelo muito que já li saído da pena e da mente iluminada desta ilustre farense. Algarvia de gema!

Há muito que não dispenso a leitura dos seus ecritos, onde fala com simplicidade e amor das coisas simples e amorosas que fizeram as nossas meninices (tenho menos dez anos) neste Algarve que nos viu nascer nos idos de quarenta e cinquenta. Primeiro no blog "A Defesa de Faro" e mais recentemente n'"A Avezinha" do nosso amigo comum Arménio Aleluia. É d'"A Defesa de Faro" que retiro, com a devida vénia, o texto que me tocou bem fundo no coração e abaixo partilho, com amizade, com os leitores que têm tido a pachorra de me aturar:

 

No meio termo reside a razão…

Lina Vedes

Mal abri os olhos para a vida, em 1940, iniciaram-me na aprendizagem do “saber viver”!
Era necessário “beber chá” logo de pequenino. Chá, era sinónimo de educação, que começava pelo treino diário da utilização adequada das expressões - “obrigado(a)”,” se faz favor”, “desculpe ou perdão”, ditas com um sorriso nos lábios e um brilho no olhar.
Era necessário aprender essa ciência do “saber viver” a partir da infância, interiorizando leis impostas pela sociedade da época.
Essas regras levavam-nos a “saber viver” sem incomodar ou melindrar o próximo, encaminhando-nos para melhorar a maneira de estar em sociedade.
Ninguém queria ser apontado como menino(a) mal-educado(a), que praticava ou dizia “coisas feias”, entendendo-se o termo, como pecadilhos de grande ou pequena monta.
Preparavam-nos para sermos bem-educados na família, na escola, na rua, usando boas palavras e atitudes exemplares. Éramos treinados e sabíamos que educação era tão importante como o pão para a boca.
Não sei se havia algum manual de instruções. Sei que os meus avós haviam moldado os meus pais, tal como tinham sido educados, e estes, por sua vez, faziam o mesmo comigo…Sempre assim aconteceu ao longo das gerações…
A família, como célula da sociedade, tinha de ser unida e forte para se defender dos perigos e para se resignar com as contrariedades – falavam os pais, os professores, a igreja…
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