Eça agora
albufeiradiario, 23.07.13
Clara Ferreira Alves
ao Expresso
d.r.
ZÉ D'ALBUFEIRA
Expresso - A ideia recorrente de que o Portugal de hoje "é igualzinho" ao Portugal de Eça é justa ou exagerada?
CFA - Portugal não é igualzinho ao do tempo de Eça, porque a desigualdade se atenuou e porque entre as duas classes de que trata Eça, a alta e a baixa, se interpõe hoje uma terceira, a pequena burguesia, nascida e aprimorada pelo salazarismo e confortada pela revolução e a democracia, que criou uma elite de altos assalariados e self-made men. Portugal melhorou muito. Mas um certo tipo de português, e um certo modo de ser português, incivilizado, bruto, oportunista, vaidoso e preguiçoso, ou um certo modo de ser português, velhaco e sarcástico, cheio de pilhéria, continuam por aí. Por nós. Os tipos queirosianos são perenes, fazem parte do nosso genótipo.

