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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Poemas de JOÃO DE DEUS

albufeiradiario, 10.03.07

      Duas Rosas

Que bonita, meu amor!

Que perfeita, que formosa!

A ti puseram-te Rosa,

Não te fizeram favor.

A rosa quem há que a veja

Bandeando, sem gostar?

Mas por mais linda que seja

A rosa, quando se embala,

Não te ganha nem iguala

A ti em indo a andar.

 

A rosa tem linda cor,

Não há flor de cor mais linda;

Mas a tua cor ainda

É mais fina e é melhor.

Murcha a rosa (que desgosto!)

Só de lhe a gente bulir;

E essas rosas do teu rosto

É em alguém te tocando

Que parece mesmo quando

Elas acabam de abrir.

 

Cheiro, o da rosa, esse não,

Não, é mais do meu agrado,

Que o seu bafo perfumado,

A tua respiração.

Depois a rosa em abrindo

Vai-se-lhe o cheiro também:

A tua boca em te rindo

Só o bom cheiro exala…

E quando falas, a fala,

Isso é que a rosa não tem.

 

Ela o que tem, meu amor?

O cheiro, a cor e mais nada.

Confessa, rosa animada!

Que és outra casta de flor.

Os olhos só eles valem

Duas estrelas, bem vês;

Pois vozes que a tua igualem

Na doçura, na pureza,

Na terra, não, com certeza;

Agora no céu, talvez.

 

Não há assim perfeição,

Não há nada tão perfeito,

Mas é um grande defeito

O de não ter coração.

Nisso é que te leva a palma

A rosa, sendo uma flor

Sem voz, sem vida, sem alma,

Que abre logo à luz da aurora,

E à noite esconde-se e chora

Pelo sol, o seu amor.

 

Ora e se a rosa, vê bem,

Tem amor, não tendo vida,

Será coisa permitida

Tu não amares ninguém?

Supões que Deus te agradece

Essa isenção, minha flor!

Deus a ninguém reconhece

Por filho senão quem ama:

A terra e o céu proclama

Que Ele é todo puro amor