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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Antecâmara da liberdade

albufeiradiario, 16.03.19

16 de Março de 1974


Tentativa de golpe militar contra o regime. Só o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha marcha sobre Lisboa. O golpe falhou. São presos cerca de 200 militares, alguns deles decisivamente envolvidos na preparação da "Revolução dos Cravos".

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                                                                                                                                                                      d.r.

ZÉ D'ALBUFEIRA

A14 de Março de 1974, face à contestação da política ultramarina governamental, um grupo de oficiais generais dos três ramos das Forças Armadas participou, em S. Bento, numa cerimónia de apoio a Marcello Caetano (a chamada Brigada do Reumático). Estavam ausentes o chefe e o vice-chefe do Estado Maior-General das Forças Armadas, respectivamente os generais Costa Gomes e António de Spínola (que, meses antes, havia publicado o livro "Portugal e o Futuro", com grande repercussão nacional). Devido à sua ausência, foram demitidos, nesse mesmo dia, dos seus cargos pelo chefe do governo. A demissão de Spínola provocou indignação nalguns oficiais, que, em 16 de Março de 1974, fizeram a primeira tentativa de derrube do regime. Do Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha saiu uma coluna com esse objectivo, que foi rapidamente neutralizada pelas forças governamentais. Apesar do insucesso, não deixou de constituir um balão de ensaio para o golpe que se avizinhava.

***

Ficou registado na História como a 'Intentona das Caldas' o movimento militar que eclodiu no dia 16 de Março de 1974, em antecipação do vitorioso 25 de Abril - que restituiu a liberdade ao povo português.

Uma coluna militar proveniente do Regimento de Infantaria 5, das Caldas da Rainha, marchou sobre Lisboa naquela que seria uma insurreição abortada. Mas que constituiu o despertar das consciências da esmagadora maioria dos portugueses para a necessidade de mudar o rumo dos acontecimentos, com vista ao fim da ditadura fascista de Salazar e Caetano e à consequente reposição da Democracia.

A História está por fazer. E dúvidas pairam ainda sobre a verdade dos acontecimentos daquela madrugada do final do último Inverno que antecedeu o glorioso 25 de Abril. Teria havido uma deficiente articulação do Movimento dos Capitães que programara uma acção revolucionária que levaria ao derrube do regime opressor vigente há mais de quarenta anos em Portugal? Ou teria sido esta insurreição (das Caldas) propositadamente desencadeada como um balão de ensaio para pôr à prova a "paz podre" e a segurança do Estado de então?

O que é certo é que ela teve o condão de assustar o regime e os seus mentores. E de acordar os portugueses, preparando-os para a aceitação sem reservas da Revolução dos Cravos, iniciada com o golpe militar, então bem sucedido, de 25 de Abril de 1974.

Eu estava na tropa na altura. E vivi por dentro, com a ansiedade de quem, absorvendo com sofreguidão o conteúdo do livro de Spínola "Portugal e o Futuro", esperava a abertura definitiva de Portugal ao mundo.

Aqui expresso a minha profunda gratidão a quantos participaram no movimento militar (abortado) de 16 de Março de 1974 - a partir do qual os portugueses acreditaram na conquista da Liberdade. Obtida, finalmente, graças aos militares que, enquadrados por heróicos Capitães, fizeram o 25 de Abril com generosidade e romantismo e sem derramamento de sangue.

* Com "Odivelas/Posto de Comando do MFA"