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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

Atentados à nossa memória coletiva

albufeiradiario, 27.05.20

Reflexão (im)pertinente...

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                                                                                                                                                                                                          MuLa

ZÉ D'ALBUFEIRA

Com a devida vénia, a seguir transcrevo o excelente texto da autoria do meu amigo João Martins Ramos (o João de Lagoa da saudosa ALGARVE MAIS, lembram-se?) sobre uma questão pertinente que, sendo-o de Lagoa, é também da nossa querida Albufeira, tão prostituída ao longo dos anos sem apelo nem agravo. É só mudar os nomes.

O autor é criador e responsável do Grupo Museu de Lagoa Virtual - MuLa no Facebook.

Reflexão (im)pertinente...

Este é apenas um de muitos exemplos…

Ao olharmos para uma fotografia de ontem e de hoje do Poço da Cascalheira, no concelho de Lagoa, sentimos o progresso na sua brutalidade, com as suas estradas a atropelar, os seus camaterlos a demolir, os seus mamarrachos a esmagar os vestígios e referências culturais da nossa memória coletiva, como por exemplo, poços centenários da nossa terra, testemunhas vivas da existência de gerações de lagoenses, lugares únicos que permitiam a sobrevivência nos anos de secas que nos têm flagelado ciclicamente…

Se alguns destes poços desapareceram devido a obras públicas executadas pelas Estradas de Portugal (que é um Estado ditatorial dentro do Estado democrático), como o Poço de Balerques, da Idade Média, que existia na freguesia de Estombar, referenciado com o nº 12.1 do Levantamento Arqueológico do Concelho de Lagoa, outros poços têm sido “apagados” do mapa do concelho na execução de estradas municipais, por isso esta falta de respeito pelo nosso património é mais reprovável…

O mapa não é o território; neste existem outras dimensões, que responsáveis e técnicos dos projetos não veem sentados à secretária, sem irem apalpar o terreno, sem conhecerem a cultura dos lugares: poços centenários e árvores milenares não se veem vivos a duas dimensões e esta cegueira percetiva nenhuma empatia motiva nos tecnocratas, nos “patos bravos”, e assim se afogam os poços até ao gargalo com tapetes de alcatrão, como o Pocinho (Lagoa) ou o Poço Partido (Carvoeiro); ou se arrancam oliveiras milenárias em terrenos a urbanizar, onde seria simples enquadrar estes magníficos seres vivos na paisagem urbana…

Enfim, vamos aproveitar esta pausa que o vírus nos está a obrigar para refletirmos na nossa identidade, na nossa história e património local…

NOTA - O antetítulo e o sublinhado são da minha responsabilidade.