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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Campo de Flores - VI

albufeiradiario, 31.05.20

Poemas de João de Deus

joao de deus.jpg

Ela

Às vezes trémula, inquieta,

Como a luz de uma estrelinha,

Vou encontrá-la sozinha

Num cálix de violeta:

Se os anjos choram de encanto,

Deve assim ser o seu pranto!

 

Que vezes a não admiro

A exalar-se da rosa,

Como de boca formosa

Se exala terno suspiro!

Então a sua existência

Não passa de pura essência.

 

Oiço-lhe em noites serenas,

E noites tempestuosas,

Ao longe vozes saudosas,

Que parecem ais apenas:

Não sei que linguagem fala

Ou que suspiros exala…

 

Quantas vezes ao sol-posto,

Naquelas nuvens douradas,

Lhe estou a ver desmanchadas

As tranças por sobre o rosto?

Fica-me a alma suspensa

Daquela abóbada imensa!

 

Mas quanto mais admirável,

Quando tudo em si resume:

Quando é orvalho e perfume,

Mistério e luz inefável!...

É não me fartar de a ver

Em forma de anjo… ou mulher!