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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Desiderata

albufeiradiario, 24.12.20

Natal sem Jesus

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                                                                                                                                                                         d.r.

ZÉ D'ALBUFEIRA

Cada ano que passa mais se confirma, lamentavelmente, a existência de festejos natalícios sem a presença espiritual de Jesus.

Não somente naquilo a que se convencionou chamar genericamente de 'sociedade', mas também entre os cristãos menos tradicionalistas (eu diria: menos cumpridores da fé...).

É por isso que, arriscando-me embora a ser apelidado por alguns de repetitivo, chato, intransigente e, quiçá, fundamentalista, não me canso nunca de, nesta quadra, publicar os versos que a seguir transcrevo - e que bem ilustram a realidade em apreço.

É a minha maneira de assinalar o quanto me dói ver o mundo gozar o Natal ignorando que a sua razão de ser é, justamente, celebrar o nascimento do Filho de Deus feito Homem.

NATAL DE QUEM?

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!

                                                            João Coelho dos Santos in Lágrima do Mar

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