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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Fácil condenar

albufeiradiario, 08.11.19

Drama que é de todos

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                                                                                                                                                       d.r.

ZÉ D'ALBUFEIRA

 

«Também Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar» (Jo 8, 1-11).

 

Mesmo antes de descoberta pela Judiciária, já a mãe que terá abandonado o filho recém-nascido no ecoponto estava condenada na praça pública e nas televisões. E já o bebé destinado a adoção por uma pretensa comissão de proteção de menores.

Ninguém preocupado em saber as circunstância em que decorreu o ato tresloucado, nem em atender ao facto de se tratar de criatura sem abrigo, atirada para a marginalidade por uma sociedade rica de pertences mas pobre de valores.

A mãe julgada por cidadãos que não querem saber da condição submersa de milhares de portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza.

O filho decidido pela merda de (pseudo)técnicas que infestam as comissões concelhias de menores, teóricas manguinhas de alpaca sem qualquer preparação prática nem experiência de vida minimamente aceitável.

A quem estão entregues os desditosos deste país!

O Estado que assuma as suas responsabilidades, que crie, desenvolva e mantenha um clima social que permita a estes cidadãos menores sair da rua e encontrar trabalho e lar condignos, totalmente integrados na sociedade a que pertencem por direito adquirido no ato de terem nascido, para poderem procriar e desenvolver famílias em perfeitas condições humanas.

E que os que estão bem na vida deixem de apontar o dedo acusador a estas mães pecadoras, que as há fruto do egoísmo reinante, dando-lhes antes misericórdia, amor e compreensão - e meios materiais e espirituais que impeçam a queda no abismo.