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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Marquinhas Elói / Madressilva

albufeiradiario, 23.11.16

Poetisa de Albufeira, cofundadora d' "A Avezinha"

Maria da Conceição Elói

marquinhas elói.jpg                                                                                                                              d.r.

ZÉ D'ALBUFEIRA

Há dez anos, publiquei neste meu blog uma série de trabalhos sobre a obra imortal da imortal poetisa albufeirense, natural de Paderne, Maria da Conceição Elói, a Marquinhas Elói como era tratada com ternura pelas pessoas que lhe foram próximas.

Essas publicações tiveram, então, enorme aceitação da parte dos nossos leitores e alguma repercussão entre as gentes locais, não por terem sido por mim publicadas, mas justamente pelo mérito da poetisa e valor intrínseco da sua obra, integrando sobretudo sonetos, que são a composição poética mais difícil de escrever.

Volvida uma década, resolvi republicar todos esses trrabalhos, com periodicidade semanal, a partir desta semana, por forma a possibilitar a mais e mais albufeirenses o contacto direto com a obra da tão saudosa autora.

Começo por reproduzir, aqui e agora, o texto que antecedeu o lançamento das publicações a que me tenho vindo a referir.

 

Tive o privilégio de privar em pequeno com a D. Marquinhas Elói (era amiga da minha mãe), a saudosa Madressilva, poetisa e escritora de verve romântica da Albufeira rústica do século passado. Infelizmente esquecida por quem hoje, nesta terra, tem responsabilidades na cultura. Dela retenho a graciosidade do sorriso envergonhado dos simples que são grandes por dentro. Tinha tanto de modéstia quanto de amor e cultura, transmitidos ao próximo como só a sua alma apaixonada sabia, através da escrita, sobretudo da poesia, e de uma vivência profundamente cristã.

Para a lembrar aos esquecidos e dá-la a conhecer aos novos, reproduzo, com a devida vénia, um texto do livro "Quem Foi Quem? - 200 Algarvios do Século XX", da autoria da também algarvia Glória Maria Marreiros (Edições Colibri).

Jornalista e escritora, MARIA DA CONCEIÇÃO DE SOUSA ELÓI nasceu em Paderne-Albufeira a 31 de Agosto de 1898 e faleceu em Faro no dia 7 de Dezembro de 1979.

Desde criança revelou capacidade poética. Na escola primária era frequente fazer versos dedicados às colegas e à professora (...).

Maria da Conceição Elói, ficou-se pela sua terra. Recebeu "prendas" de menina filha de pais com algumas posses: francês, piano e os imprescindíveis lavores. Ansiava por mais, mas era o que havia...

Um dia, em conjunto com três amigas, decide fazer um jornal, cuja finalidade primeira era ajudar um ceguinho pobre. As quatro concordaram com o título: A Avezinha. Como era moda então, cada uma escolhe o seu pseudónimo: Maria Feliciana Marim foi "Violeta"; Maria Mendes Biker, "Rosa"; Maria do Espírito "Hortênsia" e Maria da Conceição Elói "Madressilva".

Todas poetisas, constituíram um bouquet inovador, já que foi o primeiro jornal criado por mulheres.

As primeiras edições foram manuscritas pelas redactoras, e a distribuição realizada por voluntários. Mais tarde, o jornal passou a ser impresso.

A Avezinha viveu durante 15 anos, graças ao grande esforço e vontade das suas fundadoras, realizando um trabalho pioneiro na história da imprensa feminina portuguesa.

Problemas vários, acrescidos pelo afastamento, para o Brasil, de uma das fundadoras, levaram à interrupção do jornal, mas Maria da Conceição continuou a produzir. Concorreu a dezenas de jogos florais, onde ganhou vários 1ºs. e 2ºs. prémios e muitas menções honrosas.

Com os ventos da liberdade, 38 anos depois do seu nascimento, A Avezinha voltou ao ninho, renascida de um longo período de obscurantismo nacional [N.R. - graças ao esforço e à tenacidade desse insigne jornalista albufeirense (também de Paderne) que é Arménio Aleluia Martins, seu actual director].

Maria da Conceição Elói tinha então 76 anos. É convidada para directora do jornal que ajudou a fundar. Modestamente pretende recusar, por fim aceita, talvez reflectindo, e bem, que nunca é tarde para prosseguir um sonho interrompido.

"Madressilva" não foi apenas poetisa, escreveu novelas, crónicas jornalísticas e contos, tendo, nesta modalidade, sido premiada pela revista Mundo Rural. Livros, com alguma mágoa sua, não publicou. Essa devida homenagem lhe fizeram o jornal A Avezinha e a Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, editando "Ecos da Minha Voz", eloquente livro de poesia, onde se encontram os mais belos sonetos da autora (...).