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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Mártir no Japão

albufeiradiario, 03.09.20

Beato Vicente de Albufeira

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                                                                                                                                                                                  d.r.

JOSÉ B. CORREIA

Texto que, a convite do Cónego Rosa, publiquei no Boletim Paroquial de Albufeira de março de 2015, integrando um conjunto de crónicas mensais sobre a vida do Beato Vicente, que a Paróquia divulgou como documentos preambulares das comemorações de setembro desse ano:

Em 1623, o nosso P. Frei Vicente de Santo António encontra-se em Manila, nas Filipinas, na companhia do seu colega P. Frei Francisco de Jesus e dos respetivos membros da Ordem dos Agostinhos Recoletos. Preparavam, em segredo, para evitar a descoberta da movimentação pelos espias japoneses, a partida de ambos para o Japão, a fim de apalparem o terreno e, posteriormente, serem seguidos pelos restantes na missão de dilatar a Fé em Cristo naquele país do Oriente.

Frei Vicente de Santo António havia chegado a Manila integrado num grupo de 23 Agostinhos Recoletos proveniente do México. Fizeram a viagem em péssimas condições de navegação, utilizando um pequeno barco à vela e enfrentando perigos vários. A grande vontade interior de sofrer por Deus em territórios longínquos, dava a Frei Vicente a força intrínseca suficiente para superar com elevado moral as agruras da expedição.

Era a procura incessante de novas conversões que alargassem as hostes cristãs e levassem a salvação aos povos não evangelizados do Oriente, que fazia mover este nosso conterrâneo, impelido pelo mais profundo espírito cristão. Vicente de Santo António punha na prática da vida os ensinamentos colhidos de sua mãe na sua terra natal, Albufeira, certamente sob a protecção de Nossa Senhora da Orada, e posteriormente aprofundados em toda a sua formação de presbítero e missionário. Foi graças aos seus grandes méritos e virtudes religiosas que foi escolhido para dar início à difícil tarefa de ser um dos dois primeiros do grupo a infiltrar-se nas comunidades japonesas.

Anteriormente, no México, havia exercido o seu múnus de padre, isoladamente e com perfeito espírito de santificação, de tal ordem que o Bispo da Diocese o quis integrar, sem sucesso, uma vez que Vicente de Carvalho, humildemente, pediu escusa . O que ele queria era mesmo partir em Missão para terras longínquas em busca da salvação das almas. Por isso, solicitou a admissão nos Agostinhos Recoletos, tendo então adotado o nome de Frei Vicente de Santo António.

O nosso herói chegara ao México, cerca de 3 anos antes, proveniente de Lisboa. Após o falecimento da mãe e depois de arrumados todos os assuntos inerentes à herança em Portugal, deslocou-se a Cádiz onde embarcou com destino ao México, ao que parece, aproveitando o convite de um seu amigo espanhol que viajava ao serviço do Governo de Espanha. E na perspectiva de mais facilmente chegar a terras do Oriente, onde um profundo trabalho de evangelização o aguardava e o conduziria à gloriosa condição de mártir, queimado vivo nas circunstâncias que conhecemos, em nome da Fé em Jesus Cristo. A mesma Fé que orientou toda a sua vida.