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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Poetas algarvios

albufeiradiario, 21.06.20

A minha rua tem o mar ao fundo

de António Pereira

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                                                                                                                                                                                                                       d.r.

Sou algarvio

E a minha rua tem o mar ao fundo

Sempre que passa aqui algum navio

Passam, aqui, navios de todo o mundo

Oiço a voz que me namora

Da outra banda do mar…

Que me namora e me chama

Da outra banda do mundo

E se eu abalasse mãe?

E se eu abalasse e nunca mais voltasse?

Choravas, sim, eu sei bem

Posso não ser filho às vezes

Mas tu és mãe, sempre, mãe!

Se não fosse a minha mãe,

Se não fossem os meus,

Adeus aldeia, adeus praia,

Adeus gaivotas, adeus.

E eu vou ficando, não chores

Aqui, nesta aldeia do Algarve onde nasci,

Nesta rua que tem o mar ao fundo,

Onde nasceram meus pais,

E nasceram e morreram antepassados que não conheci;

Aqui há um poder maior

Que pode mais que aquela voz que me chama da outra banda do mar,

Que me namora uma chama da outra banda do mundo.

In Notícias do Mar