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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Restaurante Praia do Peneco

albufeiradiario, 27.01.18

Ponto final. Parágrafo

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                                                                                                      Artur Pastor (Albufeira séc. passado)

ZÉ D'ALBUFEIRA

Antes de colocar um ponto final na minha intervenção sobre o polémico restaurante em construção na Praia do Peneco, gostaria de deixar algumas pequenas reflexões sobre o tema, na certeza de que o mesmo, mais tarde ou mais cedo, voltará à colação, eventualmente por maus motivos.

Não contesto a legalidade da obra nem a legitimidade das entidades envolvidas.

O que não posso aceitar é que os nossos autarcas e os técnicos municipais com responsabilidades na matéria não consigam (ou não queiram) ver para lá dos regulamentos.

Creio, com efeito, que não foram acauteladas a defesa do ambiente, a degradação da poluição visual e a ocorrência de incidentes futuros provocados pelo mar.

É inegável que a edificação no local em que está a decorrer a obra vai retirar ainda mais realce ao Peneco, um verdadeiro ex-líbris de Albufeira, conhecido em todo o mundo e que deu o nome à própria praia (antigamente conhecida apenas por "Praia de Albufeira").

Já não bastava a presença do monstro (elevador) e o areamento artificial, necessário, sem dúvida, mas sem esta envergadura - para reduzir ainda mais a sua imponência, travestido a partir de agora em rocha vulgar a servir de mictório às bebedeiras saídas do restaurante.

Claro, com elevada perda de beleza da praia. Agravada, sem dúvida, se a arquitetura do restaurante for do género do mamarracho que colocaram na vizinha esplanada do túnel, a qual, depois da ocupação, deixou de ser usufruída pela generalidade dos albufeirenses.

Por outro lado, quer queiram ou não os especialistas da APA, CCDR e quejandos [é isto a descentralização?] o mar acabará por fazer estragos no imóvel, cuja localização deveria ter sido autorizada exatamente e apenas no mesmo sítio onde estava o anterior restaurante destruído pela ondas. Não me venham com a desculpa esfarrapada da segurança para o fazer afastar das arribas - a mesma desculpa utilizada face ao crime perpetrado aquando da destruição do saudoso passeio marginal. E do mesmo modo no entulhamento da também saudosa gruta da ponte de terra.

Espero bem que, quando o oceano fizer das suas, não se lembrem de combater o avanço das águas com a colocação de inestéticos blocos de pedra, tipo molhes, como acontece na Costa da Caparica e praias do norte com total desrespeito pela paisagem.

E assim, paulatinamente - e legalmente -, Albufeira vai sendo destruída e prostituída pela vontade de pessoas a quem a nossa terra nada diz a não ser por vis interesses económicos, certamente legítimos mas que não justificam tudo. Ou não deviam justificar.

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