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Albufeira Sempre

Diário sobre Albufeira.

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Diário sobre Albufeira.

Visita do Papa a Portugal - conclusão

albufeiradiario, 14.05.10

AS MINHAS NOTAS (SOLTAS)

ZÉ D'ALBUFEIRA                               

SAUDADE. A visita de Bento XVI ao nosso País saldou-se, apesar de tudo, por um enorme êxito.

A manchá-la, apenas o aproveitamento condenável que dela quiseram fazer os fracos governantes desta Terra de Santa Maria (e de S. Vicente, Santo António, S. João de Brito, Santa Joana Princesa, S. Nuno Álvares Pereira e outros que se perpetuaram para além da morte). Políticos de trazer por casa, sem substrato nem estofo de estadistas. Na ausência de méritos próprios, colam-se escandalosamente a quem ostenta valores acima do comum dos mortais, para gozarem de alguma mediatização internacional (efémera), que habitualmente só atingem pela negativa [vide o modo como conduzem Portugal para a bancarrota!].

A mensagem de ESPERANÇA que nos trouxe o Sumo Potífice e o ACOLHIMENTO "afectuoso" (termo usado pelo próprio Papa) que lhe prestou o bom povo Português - são o que verdadeiramente há a reter, de importante, neste périplo de quatro dias do sucessor de Pedro.

Como dizia, ainda há pouco, o Presidente da República: "Vêmo-lo partir já com saudade".

 

(FALTA DE) RECOLHIMENTO. Em termos de espiritualidade, a organização pecou por ter cedido aos interesses da sociedade civil (mais uma vez o aproveitamento político...) e não ter permitido ao Santo Padre que a jornada de Fátima tivesse sido, exclusivamente, de índole pastoral.

 

NOTA FINAL

No adeus a Portugal, na cidade do Porto, o Papa lançou o seguinte recado, de transcendente importância, para o interior da Igreja:

"Temos um mandato cuja fiel realização deve seguir o mesmo caminho de Cristo: O caminho da pobreza, da obediência, do serviço".

 

Visita do Papa a Portugal - 3

albufeiradiario, 13.05.10

AS MINHAS NOTAS (SOLTAS)

ZÉ D'ALBUFEIRA                               

HÁBITO. Houve momentos nas celebrações litúrgicas em que o Papa teve à sua volta mais polícias do que ministros consagrados. Na soleníssima eucaristia desta manhã, por exemplo, quando se deslocou da cátedra para a bênção dos doentes, o Santo Padre viu-se envolvido por inúmeros guarda-costas que não disfarçam e muitos GNR's envergando uniformes e armas de 'combate'. A segurança de Sua Santidade é absolutamente necessária, ninguém de tino ousará colocar em dúvida, para mais quando pairam ameaças à sua integridade física. Mas não seria possível (e recomendável) fazê-lo com maior discrição? Trajando de modo mais recatado, sem aquela ostentação marcial que se viu, para evitar ofender a postura de intimidade e o espírito de paz reinante entre os fiéis. Até, quiça, vestindo uma batina... Afinal, não é o hábito que faz o monge.

 

PROIBIÇÃO. O ridículo por parte das autoridades portuguesas tem sido uma constante nesta visita. Até as lutas intestinas entre pessoas e instituições têm saltado para a ribalta. Muito por culpa da actuação desastrada de políticos sempre prontos para mostrar quem quer, pode e manda.

O presidente da Câmara do Porto, abusando de poderes e usando de discriminação, mandou retirar do edifício do F.C. do Porto na avenida dos Aliados um pendão com que o popular clube portuense (que representa milhares de tripeiros) pretendia saudar Sua Santidade. O que, aliás, assumindo embora outra forma, foi permitido em Lisboa a Sporting e Benfica. Já nem se pode pôr uma 'colcha' na janela...

 

SURREALISTA. Ridículo é também que o pretenso candidato ao trono de Portugal, tratado como tal pelas altas figuras do Estado (um contra-senso da República que não consigo perceber), se arrogue o direito de ser cristão de primeira, reivindicando para si um tratamento especial por parte do Sumo Pontífice por ter celebrado neste dia 13 de Maio o aniversário de casamento. É no mínimo desconcertante a maneira como os mestres de cerimónias se deixam embarcar nestas colagens, que acabam por marcar a diferença...

 

... E AS NOTAS (SOLTAS) DOS OUTROS

 

OS MORNOS. Gostei de ter estado no CCB para o encontro "cultural" com Bento XVI. Não apenas pelo Papa, um dos mais importantes pensadores vivos que sempre li com prazer e proveito. Mas sobretudo para testemunhar a quantidade de "intelectuais" que, apesar de passarem 364 dias a usar a Igreja como saco de pancada, reservaram o 365º para aplaudirem o Papa de pé. Não cito nomes, até porque não tenho espaço. Mas como explicar esta esquizofrenia?

                                                                   João Pereira Coutinho in Correio da Manhã

 

Visita do Papa a Portugal - 2

albufeiradiario, 12.05.10

AS MINHAS NOTAS (SOLTAS)

ZÉ D'ALBUFEIRA                               

OPORTUNISMO. Se outro mérito não tivesse - e tem, concerteza, em termos espirituais - a visita do Santo Padre (fruto do acaso, evidentemente) serviu às mil maravilhas ao poder socrático para apanhar distraídos os portugueses e aplicar-lhes mais uma dolorosa estocada na sua já profunda agonia. O carteiro dos poderosos da UE, José Sócrates, que aliás se tem bamboleado desavergonhadamente à volta do sucessor de Pedro, aproveitou sorrateiramente  o ambiente morno, próprio de um acontecimento desta índole, para apertar ainda mais as goelas aos já muito sacrificados trabalhadores desta terra de Santa Maria. Muito bem acolitado, diga-se de passagem, pelo novo líder do PSD, o qual já aje como vice-primeiro, marcando terreno para garantir uns jobs (vulgo tachinhos...) para os seus fiéis. Tudo tem um preço, não é?

 

CRISTÃOS-NOVOS. Não me tinha apercebido em anteriores visitas papais ao nosso País. Mas agora dou-me conta de como florescem os cristãos-novos à volta de Bento XVI. Políticos sem escrúpulos que dão tudo por um beija-mão, uns segundos de pose, uma busca incansável de notoriedade junto da figura do chefe da Igreja Católica. Os mesmos, afinal, que enquanto senhores do poder democrático acossam a Igreja com atitudes persecutórias elevadas à letra de lei. Como banir os crucifixos das escolas, acabar com os capelães nos hospitais, achincalhar os valores civilizacionais dos católicos, tentar destruir as Casas do Gaiato e estrangular as obras de misericórdia...

 

GREVE. Se as instituições de solidariedade da Igreja Católica em Portugal resolvessem protestar contra as perseguições de que são alvo por parte do "Estado laico" (expressão muito cara ao carteiro da UE e sus muchachos...) e, em consequência, cessassem as suas actividades, o caos de imediato tomaria conta do País. Por notória falta de capacidade do referido "Estado laico" para se substituir à obra assistencial que a Igreja vem desenvolvendo há séculos.

 

IGREJA QUE SOFRE. A propósito. Por que não é dado ao Papa visitar, por exemplo, uma das Casas do Gaiato? Ou uma Misericórdia? Doando aos mais pobres entre os pobres uma parte dos gastos sumptuários realizados (pelo "Estado laico"... e não só) com o cerimonial envolvido na visita?

 

Visita do Papa a Portugal - 1

albufeiradiario, 11.05.10

AS MINHAS NOTAS (SOLTAS)

ZÉ D'ALBUFEIRA                                       

FAMÍLIA. Sei que o Santo Padre não teve a culpa. O protocolo é que lhe pregou esta partida. Por que razão a família de Cavaco Silva teve o privilégio de privar com o Papa? Que se saiba, quem tem a representação do Estado Português - para isso foi eleito em sufrágio livre e democrático - é o Presidente. Vá lá que, por arrasto, levasse com ele a mulher. Tolera-se. Agora os filhos e os netos? Por que carga d'água? E por que não a sopeira e o cão?

Há em Portugal famílias católicas exemplares com dignidade suficiente para receber o Sumo Pontífice. E há famílias pobres, a quem os governantes portugueses, ante a passividade de Cavaco, romperam os bolsos e a carteira, com quem o Papa teria, certamente, melhor convivido à luz do exemplo de Cristo. E do seu antecessor na cadeira de Pedro.

 

HIPOCRISIA. Que falta de vergonha (e de coerência) teve Sócrates para assistir à missa do Papa! O governante que mais tem perseguido a Igreja Católica em Portugal no pós-25 de Abril... E que mais leis tem patrocinado contra os princípios e os valores que enformam o povo português, maioritariamente cristão.

 

MILAGRE. O ministério das Finanças foi utilizado por Bento XVI como sacristia. Poderá considerar-se uma benção. Mas... nem mesmo assim há milagre que consiga salvar as finanças portuguesas, com esta nova maioria de conveniência PS/PSD.